O governo do Rio de Janeiro não consegue alugar casas para implantar o programa que visa oferecer locais de pernoite para meninos de rua. Até agora, 18 proprietários de casas na região central da cidade se recusaram a alugar seus imóveis ao serem informados que estes serviriam de abrigo para meninos de rua. O major PM Heleno Barbosa, integrante do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, afirma que nem mesmo o oferecimento de aval por parte do BANERJ tem estimulado os proprietários a alugar suas casas. Segundo ele, há o temor de que as casas sejam depredadas. A idéia de implantação destes albergues-- chamados pelo governo de Casas de Acolhida-- surgiu de uma pesquisa do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). De acordo com a pesquisa, não passa de mil o número de menores que dormem nas ruas da cidade. O governo do estado tem procurado casas de três a quatro quartos, capazes de abrigar de 15 a 20 crianças e adolescentes. O projeto prevê que em cada albergue irá morar também um casal que ficará responsável pelo funcionamento da casa. Em São Paulo, o governo do estado mantém, desde 1987, três programas para abrigar meninos de rua: o albergue do PCR (Projeto Criança de Rua), o das Casas Abertas e o Clube da Turma da Mooca. Todos pretendem atrair as crianças com "atividades lúdico-pedagógicas". De março de 1991 até fevereiro de 1992, o PCR e o Clube da Mooca atenderam 1.830 crianças. No mesmo período foram atendidas nas casas abertas 2.425 crianças (FSP).