Conscientes da fragilidade do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e para afastar qualquer risco, os ministros da Economia dos quatro países membros acertaram um cronograma de ações política e econômica, em reunião realizada ontem na capital argentina. Essa iniciativa será ratificada dia 26 de junho em Las Len~as, Argentina, pelos presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que mais uma vez demonstraram a vontade política de cumprir os prazos do Tratado de Assunção, que deverá entrar em vigor a partir de 1995. No encontro de ontem foi reconhecida a necessidade de uma harmonia das políticas macroeconômicas dos quatro países. Esse é um tema delicado porque envolve assuntos como controle da inflação e política cambial. O ministro da Economia do Brasil, Marcílio Marques Moreira, nega ter recebido qualquer tipo de pressão para corrigir a diferença entre cruzeiro na comparação com o peso argentina na relação com o dólar. Com a fisionomia contraída e demonstrando surpresa, Marcílio negou existir algum tipo de disparidade entre estas moedas. Encerrou o assunto com a frase: "ministro da Fazenda não conversa sobre isso". Na sua opinião, a taxa de câmbio do Brasil é realista e neutra. O ministro brasileiro afirmou ter discutido questões fiscais e monetárias, verificando existir convergências pressupostas e premissas entre os países do MERCOSUL nestas áreas. Com exceção do Paraguai os demais seguem as normas do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Todos têm política monetária estrita e austera e estão engajados nas reformas do Estado, incluindo a privatização", resumiu Moreira. O ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, garantiu que seu país está comprometido com o MERCOSUL. "Vamos cumprir todos os prazos", afirmou. No claro desempenho de todos em afastar dúvidas, o ministro da Fazenda do Paraguai, Juan José Diaz Perez, classificou de sem fundamento as notícias de que seu país abandonaria o Acordo de Assunção. Outro tema polêmico debatido pelos ministros reunidos na capital argentina diz respeito às tarifas e preços dos serviços públicos. Todos se comprometeram a ajustá-los dentro da harmonização de uma política macroeconômica comum. Moreira esclareceu que o Brasil está buscando uma recuperação dos preços das tarifas de energia elétrica, não para satisfazer a Argentina, mas por acordo com o FMI. De janeiro a maio de 92 os reajustes das tarifas alcançaram no total 12% sobre a média do mesmo período de 1991, não devendo passar de 17% até o fim do ano. Projetos concretos também avançaram nesta terceira rodada do MERCOSUL. Estão em curso os entendimentos para um acordo conjunto de fornecimento de gás na região, além de uma lista de serviços que poderão ser realizados de forma conjunta. Marcílio comunicou a seus colegas que o Congresso aprovou o tratado para a criação de empresas binacionais entre Brasil e a Argentina. Anunciou ainda que o resultado prático para o MERCOSUL de sua recente viagem ao Japão é a decisão manifestada pelas autoridades deste país de firmar um acordo de cooperação. Diante da preocupação dos demais países do MERCOSUL com a negociação do Paraguai no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), ficou acertado que representantes dos três países acompanharão, em Genebra, o debate sobre essas tarifas (JC) (O ESP).