DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL FAVORECE AS EXPORTAÇÕES PARA PAÍSES

Quando se reunirem, hoje, no Banco de la Nación, em Buenos Aires, os ministros da Fazenda dos quatro países integrantes do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL)-- Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai-- terão a sua frente dados que apontam para uma larga defasagem nas taxas reais de câmbio entre os países da região, indicando que o tema da integração monetária na área do MERCOSUL ainda apresenta sérios problemas. Isso explica o fato de o Brasil sair de uma posição comercial deficitária em torno de US$1 bilhão por ano com os países do MERCOSUL para uma posição superavitária nos últimos meses. A diferença nas taxas de câmbio tem tornado os produtos brasileiros extremamente baratos, principalmente nos mercados argentino e uruguaio. Dados dos bancos centrais dos países da região, tomando como base 100 a posição de março de 1991, mostram que o cruzeiro acusa uma desvalorização cambial real de 22% até abril deste ano, enquanto o peso argentino acumula uma valorização real de 19% no mesmo período. Colocando-se aquela variação frente a frente, o resultado é que o cruzeiro apresentou uma desvalorização real de 49% face ao peso argentino. Comportamento muito similar ocorre nas comparações cambiais entre Brasil e Uruguai, sendo que, no caso deste país, a valorização real do novo peso entre março de 1991 e abril deste ano acumulou um índice de taxa real de 11%. Já o Paraguai manteve-se praticamente no mesmo nível real de taxa de câmbio em relação a março do ano passado. De longe, a situação brasileira é a mais destoante da realidade cambial dos demais países e isso pode ser facilmente atribuído à taxa de inflação elevada do Brasil em comparação com os níveis mais baixos observados nos parceiros do MERCOSUL. O grande desvio existente na área cambial no MERCOSUL aprofundou-se em função das realidades diferentes da inflação na região e isso torna virtualmente impossível uma integração monetária. Um equilíbrio real das taxa de câmbio fica dificultado em decorrência do sistema de taxa cambial fixa na Argentina e de uma política de valorização adotada no peso. A variabilidade da taxa de câmbio na região será abordada hoje em Buenos Aires, levando em conta as diferentes realidades, principalmente entre Argentina e Brasil, que são os dois principais parceiros na área. Seria preciso que a inflação na Argentina ficasse fora de controle ou que o Brasil adotasse um plano de estabilização à semelhança do da Argentina para que pudesse ser assegurado o equilíbrio da taxa de câmbio real. Por enquanto, face à situação atual, as deferenças tendem a perdurar (GM).