SUPREMO DECIDE SUSPENDER O JULGAMENTO DE NEWTON CRUZ

O primeiro general a ser julgado por um júri popular no Brasil, Newton Cruz, 67 anos, não chegou a sentar no banco dos réus porque, também pela primeira vez na história do país, uma professora aposentada, que ele diz desconhecer, impetrou um habeas corpus defendendo a tese de que o general não poderia ser julgado por civis. A decisão de suspender o júri foi tomada ontem, no Rio de Janeiro, pelo juiz Francisco da Motta Macedo, depois da leitura de um telex do Supremo Tribunal Federal (STF) informando que a professora Nadir do Vale Ferrari havia ganho a liminar na qual defendia a incompetência de um júri civil para deliberar sobre o caso. A suspensão do júri não é definitiva. A liminar concedida significa apenas que Cruz não pode ser julgado por civis enquanto o STF examina a questão. Se o STF achar que o júri popular é competente, o general poderá ser julgado no dia 30 de junho próximo. Cruz e seu advogado Clóvis Sahione afirmaram desconhecer a professora. A testemunha de acusação Claudio Polila voltou para seu cárcere-- ele está preso por roubo de carro-- sem fazer comentários. O delegado Ivan Vasques, que presidiu o inquérito, reafirmou sua convicção de que Cruz seria condenado. O general iria responder pela morte de Alexandre von Baumgarten, um jornalista que colaborava com o SNI (Serviço Nacional de Informações) e foi encontrado morto no dia 25 de outubro de 1982, 12 dias depois de sair para pescar com a mulher e um barqueiro. A professora Nadyr do Valle Ferrari, 72 anos, disse que decidiu impetrar o habeas corpus em favor do general "ao ouvi-lo afirmar numa rádio que estava há 10 anos sem dormir por causa da acusação de assassinato". No apartamento onde mora, no Rio de Janeiro, Ferrari afirmou que foi auxiliada por "um amigo militar e um advogado" na elaboração do habeas corpus. O documento, segundo ela, foi elaborado no final de semana e postado no correio no último dia 19 (FSP).