Os ministros da Economia dos quatro países envolvidos na criação do Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL), a partir de 1995-- Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai-- têm uma reunião marcada para hoje em Buenos Aires, a fim de analisarem a marcha do processo de integração dos mercados. Alguns especialistas conhecidos especulam que a formação do bloco não poderá ser concretizada na data programada. Para esse pessimisto contribuiu, principalmente, a difícil situação econômica do Brasil, o sócio majoritário do MERCOSUL. Os responsáveis pela preparação da reunião, no entanto, não acompanham esse pessimismo e disseram que o cronogramas estão sendo cumpridos na forma prevista, apesar de alguns contratempos. Esta será a terceira reunião dos quatro ministros-- Marcílio Marques Moreira, do Brasil; Domingo Cavallo, da Argentina; Juan José Diaz Pérez, do Paraguai; e Ignacio de Posadas, do Uruguai-- que estarão acompanhados dos presidentes de seus bancos centrais. Nas vezes anteriores, os ministros e presidentes dos bancos centrais se reuniram no Rio de Janeiro e em Montevidéu. Comissões técnicas dos quatro países se encontraram ontem à tarde, a fim de agendar o que será discutido hoje. Durante as reuniões serão debatidos temas como redução de taxas alfandegárias e sua harmonização; problemas relativos ao transporte comercial marítimo e aéreo e a marcha do processo de integração. Os ministros vão estudar também as negociações que estão sendo realizadas com agentes financeiros internacionais ou credores privados para a redução da dívida externa dos quatro países. No início do mês, o ministro argentino Domingo Cavallo disse em Madrid que a Argentina estava disposta a adiar a formação do MERCOSUL se "não houver uma compatibilização da política econômica entre seu país e o Brasil". Cavallo se confessou particularmente preocupado com a política de subsídios às exportações, especialmente de produtos agrícolas, implantada pelo presidente brasileiro Fernando Collor, bem com os custos consideravelmente mais altos da energia elétrica na Argentina com relação ao Brasil, o que encarece as exportações industriais deste país. O embaixador argentino Felix Pena, funcionário da chancelaria argentina que se ocupa do MERCOSUL, mantém o otimismo e assegura que os prazos de integração serão cumpridos Inexoravelmente". Mas dois economistas argentinos, que tiveram destacado papel na redação do Tratado de Integração-- Beatriz Nofal e Jorge Campbell-- afirmaram que "as assimetrias com o Brasil conspiram contra os prazos fixados". Segundo eles é improvável que o MERCOSUL possa funcionar já em 1995. "Muito provavelmente nessa data, teremos apenas uma zona de livre comércio", disseram. Os dois são de opinião que as diferenças em termos de política cambial, alfandegária e fiscal entre Brasil e Argentina têm que ser consideradas. Isto não significa que não chegaremos ao mercado comum, mas somos forçados a reconhecer que os objetivos não poderão ser cumpridos nos prazos fixados" (JC).