FORÇAS ARMADAS NÃO CEDEM A PRESSÕES INTERNACIONAIS

As Forças Armadas brasileiras não vão ceder às pressões internacionais, especialmente dos EUA, para que os militares ajudem na proteção das fronteiras e no combate ao narcotrático na América Latina, uma ação que dá apoio às atividades policiais. A opinião é do ministro da Marinha, Mário César Flores, em exposição feita ontem à Comissão de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Ele afirmou que o combate ao narcotráfico é apenas uma desculpa para camuflar o interesse de desestruturar as forças militares dos países latino-americanos, alertando que "a inserção das Forças Armadas em assuntos não militares as credenciam para abandonar sua vocação e agir em outros assuntos". O ministro da Marinha revelou também que alguns países da América Latina sofrem pressões do Banco Mundial (BIRD) para limitarem os recursos das Forças Armadas. Segundo ele, o BIRD cria restrições principalmente aos que reservam 4% do Produto Interno Bruto (PIB) ao setor militar, o que, de acordo com o ministro, não se aplica ao Brasil, onde é investido apenas 0,4% do PIB. O Brasil, segundo Mário Flores, é um dos países que menos investem nesse setor. Enquanto os EUA, em 1990, gastaram US$270 bilhões, o Brasil gastou US$1,7 bilhão, o que representa 0,4% do PIB. O ministro argumentou também que a redução do efetivo das Forças Armadas em troca de capacitação tecnológica não representa economia para o país (JC) (JB).