JAPÃO AMEAÇA DOMÍNIO BRASILEIRO

As montadoras japonesas já ameaçam a hegemonia dos carros brasileiros na América do Sul. Levantamento da Wards Automotive International, publicação dos EUA, mostra que os japoneses venderam 120.500 carros na América do Sul em 1991, encostando nas 136 mil unidades exportadas pelo Brasil. A América do Sul é hoje o maior mercado de exportação para veículos brasileiros. O avanço japonês se acentuou, segundo a Wards, depois que países da América do Sul adotaram políticas de mercado aberto e livre importação. O crescimento das vendas é tido como certo, mas deverá ser lento. "A expansão será gradual nos próximos cinco ou 10 anos", afirmou Tetsuo Tabata, da Divisão de Negócios Internacionais da Nissan. "A população está crescendo, mas as economias são fracas e os salários, baixos". A presença japonesa ganha destaque quanto se observa que Brasil e Argentina, que forma quase 70% do mercado sul-americano, representaram apenas 5,5% das vendas japonesas. Das exportações brasileiras para outros países da América do Sul em 1991, 43,3% foram para a Argentina. Na maioria dos países, os carros japoneses batem os brasileiros numa proporção de dois por um. Os carros brasileiros só venderam mais que os japoneses na Argentina e Uruguai. O desempenho brasileiro vem sendo ajudado pelo estreitamento dos laços comerciais com a Argentina. Montadoras dos dois países vem trocando carros em ritmo crescente dentro do Protocolo 21 do MERCOSUL e, na Argentina, as importações de veículos de outros fabricantes é restrita por lei, enquanto no Brasil as importações ainda são limitadas por meio de tarifas. Em mercados abertos como o do Chile, a vantagem nipônica é flagrante. Os japoneses venderam 45 mil carros no ano passado. Os brasileiros, cerca de 16 mil. Carros japoneses já são líderes de mercado na Venezuela, Colômbia, Chile, Peru e Equador. Nesses países, os carros japoneses também são montados sob licença por empresas locais. Analistas ouvidos pela publicação americana, no entanto, dizem que, à medida que esses mercados se tornarem mais abertos, os japoneses tenderão a fechar as unidades de montagem para exportar os produtos prontos do Japão. A Nissan já fechou a fábrica que mantinha há décadas no Peru (O ESP).