Caso o governo adote a proposta de fixar até três salários-mínimos (Cr$690 mil) o teto de contribuição para a Previdência Social, deixando as demais faixas para os fundos privados, o Congresso suspenderá as negociações com o Executivo sobre a reforma do sistema previdenciário. A proposta, anunciada pelo coordenador da Comissão Especial da Reforma Tributária, Ary Oswaldo de Mattos Filho, foi duramente criticada ontem pelo deputado Antônio Britto (PMDB-RS), relator do projeto aprovado por unanimidade na Câmara. O projeto fixa teto de 10 salários-mínimos para as contribuições e conta também com apoio do ministro da Previdência Social, Reinhold Stephanes. O deputado apontou um jogo de interesses dos fundos privados, pois 79% das contribuições previdenciárias são pagas pelos que recebem acima de três salários-mínimos. De acordo com o deputado, 79% da receita dos contribuintes ficariam com os fundos privados, enquanto estes só pagariam benefícios para 45% da clientela, que está na faixa acima de três salários-mínimos. A Previdência Social perderia nessa conta, porque ficaria apenas com 21% da receita e arcaria com 55,8% do total da clientela, que recebe até três salários-mínimos. "A proposta faz com que os fundos fiquem com o filé e a Previdência arque com a pobreza", disse Britto (JC).