NEWTON CRUZ VAI A JÚRI POPULAR HOJE

Pela primeira vez na história do país um general sentará no banco dos réus para responder por um crime comum. A partir das 13 horas de hoje, no 1o. Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o coronel Newton Araújo de Oliveira Cruz, 69 anos, será julgado por um júri popular, acusado de sequestro, morte e ocultação de cadáver do jornalista Alexandre von Baumgarten, em 1982. Se a tese do promotor Murilo Bernardes Miguel for acatada, Newton Cruz poderá pegar até 40 anos de prisão. A previsão de duração do julgamento é de cinco dias. Newton Cruz será defendido pelo criminalista Clóvis Sahione. Carioca da Zona Norte, o oficial da cavalaria Newton Cruz ocupou vários postos de destaque no Exército até chegar à chefia da agência central do extinto SNI (Serviço Nacional de Informações), logo após a posse do presidente João Figueiredo e, posteriormente, ao comando militar do Planalto. Em junho de 1989, foi punido com oito dias de prisão por ter chamado o então ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, de "omisso e desleal", ao comentar a falta de apoio do ministro no processo que é acusado de assassinato. Misto de jornalista e empresário, Alexande von Baumgarten não escondia dos amigos mais íntimos que "era poderoso por causa das ligações que mantinha com os órgãos de informações". Foi proprietário da revista "O Cruzeiro" de agosto de 1979 a novembro de 1980, publicando reportagens favoráveis ao presidente João Figueiredo, a quem tratava pelo prenome. Em 28 de outubro de 1981, Baumgarten redigiu um dossiê, no qual destacou: "É certo que minha extinção física já foi decidida pelo SNI. A minha única dúvida é se essa decisão foi tomada em nível do ministro-chefe do SNI, general Octávio Medeiros, ou se ficou ao nível do chefe da agência central, general Newton Cruz". Um ano depois, o jornalista, acusado de viver de extorsão, desaparecia após sair para pescar no litoral do Rio de Janeiro com a mulher, Janette Hansen, e o barqueiro Manoel Valente Pires. Graças ao seu dossiê e ao testemunho do bailarino Cláudio Polila, o general vai a julgamento hoje (O Dia).