O MERCOSUL PRECISA INVESTIR US$100 BILHÕES

Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai precisarão investir US$100 bilhões em obras de infra-estrutura para tornar viável o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), especialmente em estradas, portos e aeroportos. Apesar de ser o parceiro de maior poder econômico, o Brasil tem uma das situações mais precárias entre os quatro países, diagnosticou na segunda-feira (18) o presidente da Comissão Parlamentar do MERCOSUL, deputado Nelson Proença (PMDB-RS), que vê na participação da iniciativa privada, ponto fundamental para que o processo de integração regional realmente deslanche. O parlamentar entende que, do lado brasileiro, a solução passa pela aprovação do projeto de modernização e privatização dos serviços portuários. "Não é possível um estrangulamento como esse que está ocorrendo no porto de Rio Grande, onde uma fila de mais de 20 quilômetros de caminhões espera para descarregar por problemas burocráticos", disse, lembrando que mesmo fora das épocas de safra, aquele terminal mantém estrutura emperrada. Apesar do avanço do país na área de telecomunicações, Proença sustenta que ainda é preciso acabar com algumas distorções. Citou o caso de uma ligação da Argentina para Porto Alegre que passa compulsoriamente pelo Rio de Janeiro antes de chegar, através de microondas, à capital gaúcha. Mas é na questão das estradas que o deputado vê maior necessidade de participação da iniciativa privada. "Temos de derrubar a proibição constitucional de vincular a cobrança de impostos à melhoria nas estradas", afirmou. Ele apóia a proposta que empresas se responsabilizem pela construção e reformas na malha rodoviária e tenham retorno do investimento através da cobrança de pedágio. É o que propõe, por exemplo, o consórcio liderado pela construtora Dumez para fazer a rodovia que liga Porto Alegre a Buenos Aires. Na área energética, considerou fundamental a execução do projeto da hidrelétrica de Garabi, no Rio Uruguai, entre Brasil e Argentina, que vai servir para interligar os sistemas dos dois países. Informou, sem citar nomes, que há grupos alemães interessados em realizar a obra. No total, segundo Nelson Proença, são necessários 20 mil quilômetros de estradas nos quatro parceiros, além de quatro mil quilômetros de ferrovias, entre outras obras. "Esse trabalho deve ser entregue ao setor privado, que tem o dinheiro. Ao Estado, caberiam as atividades nas áreas de saúde, saneamento básico e educação", disse (GM).