ASSENTADOS TÊM RENDA MÉDIA DE 3,7 SALÁRIOS

A reforma agrária no Brasil é um sucesso como geradora de riquezas. Ela
46985 permite uma renda média de 3,7 salários-mínimos/mês a cada família
46985 assentada, apesar de ser praticada de forma irregular e pouco pragmática.
46985 A continuidade do programa de assentamento de populações rurais de baixa
46985 renda resultará no melhoramento dos indicadores sócio-econômicos do
46985 setor rural do Brasil e da sociedade como um todo. Essas são as principais conclusões do ainda inédito relatório Principais Indicadores Sócio-Econômicos dos Assentamentos de Reforma Agrária, feitos pelos programas das Nações Unidas para a Agricultura e Desenvolvimento (FAO/Pnud) e Ministério da Agricultura. Entre 1985 e 1991, o governo brasileiro desenvolveu 524 assentamentos de reforma agrária, num total de 4,713 milhões de hectares, atendendo a 94.026 famílias de agricultores. As pesquisas, feitas entre maio e setembro de 1991, abrangeram 44 dos 900 projetos de assentamento feitos no Brasil, entre 1965 e 1990, em 21 estados, num total de 828 famílias. A seleção final foi feita a partir de um universo de 440 assentamentos criados entre outubro de 1985 e outubro de 1989. O Brasil é um dos países onde a concentração de terras nas mãos de poucos é uma das maiores do mundo. Menos de 20% da população detém mais de 50% das terras cultiváveis, segundo o economista Sérgio Leite, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE). Uma das principais recomendações do trabalho é no sentido de aumentar as atividades de assistência técnica para incentivar o aumento da produtividade da terra, sem prejudicar diretamente a natureza. Uma das constatações da pesquisa foi a de que a produtividade nos assentamentos ainda é baixa, se comparada com o contexto regional, mas dificilmente os agricultores obteriam renda igual se estivessem empregados no campo ou nas cidades. Os dados mostram que, apesar da renda nacional ser de 3,7 salários- mínimos, por regiões as médias ficaram assim estabelecidas: Nordeste, 2,33; Centro-Oeste, 3,85; Norte, 4,18; Sudeste, 4,13; e Sul, a mais alta, 5,62 salários-mínimos. Os assentamentos mais pobres se concentram no Ceará, com renda de um salário-mínimo, enquanto a Região Sul superam a faixa dos sete salários. Os técnicos do FAO e do Ministério da Agricultura recomendam que sejam feitas as seguintes alterações no programa: no Sul, os agricultores prestes a se integrar na política agrícola oficial devem ser incentivados, dada a sua capacidade de absorção produtiva dos créditos; no Centro-Oeste, a prioridade deve ser a recuperação de solos pobres dos cerrados; no Nordeste, é necessário maior investimento em irrigação; no Norte, deve ser dada prioridade as estruturas de comercialização; e, no Sudeste, é preciso resolver problemas de assistência técnica. Para discutir a reforma agrária, 26 técnicos, entre físicos, sociólogos e agrônomos, se reuniram anteontem e ontem, no Rio de Janeiro, para discutir alternativas de desenvolvimento rural. Segundo Sérgio Leite, um dos coordenadores do seminário, a política agrícola praticada pelo governo federal discrimina regiões, privilegiando produtores do Centro- Sul. "A reforma agrária pode ser uma medida política para a retomada do desenvolvimento econômido do país", disse Leite (O ESP).