SERVIÇOS PÚBLICOS ATRAEM GRUPO FRANCÊS

Se o Brasil levar adiante os planos de privatizar empresas na área de serviços públicos poderá ter um forte candidato: o Grupo Saint-Gobain, gigantesco conglomerado francês de empresas que atuam nas áreas de vidro, materiais de construção, canalização, cerâmicas industriais e abrasivos e que possui fortes ramificações no país por intermédio da Brasilit, Vidraria Santa Marina, Norton e Metalúrgica Barbará, pertencentes ao grupo. "Privatizar é devolver o peixe ao rio", filosofa o presidente mundial do Grupo Saint-Gobain, Jean-Louis Beffa. Em entrevista concedida ontem na sede do grupo em Paris, Beffa defendeu os programas de privatização como uma das principais medidas de redução do déficit público, capaz de trazer um ciclo de crescimento econômico regular. As privatizações feitas até agora pelo governo brasileiro, no entanto, não despertaram o interesse do grupo por não envolver empresas das mesmas áreas em que ele atua. Mas os projetos de desestatizar os serviços públicos, como distribuição de água e tratamento de esgotos, interessam à Saint-Gobain, admitiu Beffa. O programa de privatização do governo de São Paulo também desperta interesse do grupo francês. Cauteloso, Beffa prefere não se aprofundar na discussão do tema, justificando que o objetivo do conglomerado é permanecer, antes de tudo, dentro da sua vocação industrial (O ESP).