Empresários e sindicalistas chegaram, ontem, a um consenso quanto à necessidade de encaminharem juntos reivindicações ao governo em torno de cinco pontos: Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, reforma da Previdência, reforma tributária e fiscal, regulamentação do princípio de isonomia e MERCOSUL. A pauta teve origem numa lista de dez pontos que as centrais sindicais aprovaram na semana passada e vão levar depois de amanhã (22) ao governo. Comissões técnicas com representantes das duas partes começarão a esboçar propostas na próxima semana, atendendo a um pedido de urgência do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Mário Amato, e de líderes das três centrais sindicais-- Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e Força Sindical. Na semana que vem nós devemos discutir nossas posições, afirmou o presidente da FIESP. "Sempre há conflitos, mas vamos procurar áreas de consenso", disse Luiz Antônio de Medeiros, presidente da Força Sindical. A decisão foi tomada, ontem, no 2o. Fórum de Sindicalistas e Empresários, que reuniu, no Centro de Negociações da FIESP, em São Mário Amato, o secretário-geral da CUT, Gilmar Carneiro, e os presidentes da CGT, Canindé Pegado, e da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros. O encontro deu sequência à iniciativa que visa aproximar capital e trabalho. A reunião anterior havia sido feita em março, com a visita de Amato às instalações do Instituto Cajamar, entidade formadora de líderes sindicais ligada à CUT. Todos deixaram claro que faziam mais um exercício de aproximação e de esforço para que os interesses comuns acabem sendo mais produtivos do que as velhas discussões sobre divergências. O fórum durou o dia todo e ao final chegou-se à conclusão de que, além dos cinco pontos, há possibilidade de associação em torno de campanhas pelo registro profissional. Representantes da CUT, Força Sindical e CGT devem se reunir com funcionários dos Ministérios da Economia, do Trabalho e da Secretaria de Governo. Eles planejam abordar temas como a ameaça do MERCOSUL ao mercado de trabalho, a necessidade de carteira profissional assinada, a regulamentação do princípio constitucional da isonomia e medidas compensatórias contra a recessão. Mário Amato encerrou o encontro dizendo-se convencido de que surgirão propostas concretas. "Não há nenhuma dificuldade de associação. Temos interesses em comum", avaliou. Tanto assim que partiu dele a idéia de realizar um treinamento conjunto de negociadores. "Pode até ser em Cajamar", disse, referindo-se ao centro de estudos da CUT (JC) (FSP) (O ESP).