A Ásia (excluído o Oriente Médio) tornou-se um mercado quase tão importante quanto os EUA para as empresas exportadoras brasileiras. Já é duas vezes e meia maior que o MERCOSUL, em volume de importações de produtos do Brasil. E comprou mais que todo o conjunto de países latino- americanos, no ano passado. A Associação dos Exportadores Brasileiros (AEB) prevê que, ainda neste ano, o mercado asiático deverá passar a ser o segundo em importância para o Brasil. Tomaria o lugar dos EUA, ficando abaixo da Comunidade Econômica Européia (CEE). As exportações brasileiras para a Ásia (Japão, Taiwan, Hong Cong, Coréia e Cingapura, principalmente) eram de US$2 bilhões em 1980 e somaram US$5,7 bilhões no ano passado. No primeiro trimestre deste ano foram de US$1,2 bilhão. É um dos reflexos do crescimento das restrições aos produtos brasileiros
46964 na CEE e nos EUA, observa Laerte Setúbal Filho, vice-presidente da AEB, entidade que há pouco instalou um escritório de vendas em Taipé (Taiwan). Em 1991, o Brasil recebeu uma missão comercial asiática a cada mês. Eles estão querendo nossos produtos de tecnologia média e foi por
46964 insistência deles que criamos a representação em Taipé, explica Setúbal. O protecionismo e a recessão econômica são duas das causas do refluxo das exportações brasileiras para a Europa (US$9,7 bilhões no ano passado, uma queda de 0,98% em relação a 1990) e para os EUA (US$6,2 bilhões, queda de 18,5% sobre 1990). Mas não são as únicas, nota o ex-ministro e deputado federal Antônio Delfim Netto (PDS-SP). "Em 1984, o Brasil exportava mais que a Coréia. Fechamos, naquele ano, com US$26 bilhões e eles ficaram com US$25 bilhões. No ano passado, exportamos US$31 bilhões e eles venderam US$72 bilhões. A diferença é proporcional ao uso da inteligência", ironiza. Tínhamos tudo, todos os instrumentos para competir mundialmente, mas
46964 destruímos o Estado, no sentido de destruição dos instrumentos que
46964 possuíamos, como o Befiex e a taxa cambial. Jogamos tudo fora quando
46964 congelamos o câmbio e terminamos com o Befiex. O Estado, como organização
46964 do setor, desapareceu, acha Delfim. Entre os exportadores não há dúvidas de que as dificuldades na CEE e nos EUA tendem a aumentar, contam empresários como Mário Amato, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). A AEB, por exemplo, confirma a expectativa dos fabricantes de tubos de aço sobre a imposição de novas barreiras no mercado norte-americano já nas próximas semanas. Na busca de alternativas, em diferentes segmentos de produção, tenta-se intensificar as vendas para a Ásia. "O problema aí é o frete e a frequência de navios. Vamos precisar de um porto livre no Pacífico", diz Laerte Setúbal, da AEB. Está em curso um "lobby" dos exportadores sobre o governo brasileiro para viabilizar uma saída pelo Pacífico, em três alternativas: Valparaíso (Chile), através da Argentina; Arica e Calhau (Peru). No caso peruano, as gestões ficaram complicadas desde o golpe do presidente Alberto Fujimori. A alternativa escolhida, no momento, é Valparaíso, com trânsito de carga pela Argentina. As condições parecem propícias não apenas pelo crescimento e estabilidade política do Chile, mas sobretudo, pelo surpreendente impulso nos negócios com a Argentina, nesta etapa inicial da consolidação do MERCOSUL-- ao qual o Chile deverá aderir a médio prazo. No primeiro trimestre, por exemplo, as vendas a Argentina cresceram 152,3%, somando US$546,8 milhões. Isso é inédito e muito expressivo: as exportações para o mercado argentino, no período, foram maiores que a soma das vendas ao Japão (US$500 milhões) e não muito abaixo do total de negócios feitos com o restante dos países asiáticos (US$732 milhões) (GM).