Poucas horas antes de morrer assassinado a tiros no hotel onde estava hospedado, em São Paulo, o governador do Acre, Edmundo Pinto (PDS), gravou em vídeo um depoimento no qual conta as ameaças de morte que recebia, denuncia pessoas interessadas em matá-lo e contra quanto custa para "sair dinheiro em Brasília". O vídeo foi gravado pela produtora SPVT-- Sincro Vídeo Comunicação Ltda., responsável pela reserva para o governador no Hotel Della Volpe, onde ocorreu o crime na madrugada do último dia 17. Segundo as informações, o governador resolveu gravar o vídeo porque pretendia "abrir o jogo" sobre o depoimento que daria hoje na CPI sobre irregularidades no uso de verbas do FGTS. Uma das pessoas que estiveram com o governador durante a gravação ouviu Edmundo Pinto dizer que seu depoimento na CPI seria "um dia decisivo nessa história toda". A SPVT trabalhava para o governador do Acre desde 1990 e sempre que ele viajava para São Paulo se encarregava de fazer a reserva no Della Volpe. A CPI do Congresso sobre o FGTS decidiu ontem convocar o vice-governador do Acre, Romildo Magalhães, para depor no lugar do governador assassinado. Para a Polícia de São Paulo, Edmundo Pinto foi vítima de latrocínio, praticado por três homens interessados apenas em roubar os hóspedes do Della Volpe. Por achar que estava sendo vítima de um atentado, ele reagiu e acabou morrendo. Para o ministro da Justiça, Célio Borja, as provas encontradas até agora fazem crer em latrocínio, "mas sempre fica a hipótese de que pode ter havido crime político". O corpo do governador será sepultado hoje em Rio Branco, onde seus familiares duvidam que o crime tenha sido apenas uma tentativa de assalto (JB).