SALÁRIO PARA MENOR DE RUA

Mil meninos de rua poderão, ainda este ano, estar ganhando bolsas de um salário-mínimo. A idéia surgiu no debate sobre menores no Fórum Rio Século XXI, realizado ontem no Rio de Janeiro. Participaram da 15a. e última seção do fórum-- Rio, sociedade civil e ação política--, a conselheira da OAB, Márcia Calainho; o presidente da CUT-RJ, Washington da Costa; o presidente da CGT-RJ, Rui Calandrini; o presidente da FIRJAN, Arthur João Donato; e o diretor-executivo do IBASE, Herbert de Souza. Segundo o secretário estadual de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, Luís Alfredo Salomão, esta é apenas uma das medidas concretas já adotadas por empresários e autoridades que participaram do encontro, apesar de não estar ainda definido como o dinheiro chegará aos menores-- se através de ajuda a alguma entidade assistencial ou por outros meios. O presidente da FIRJAN considerou a redistribuição da renda como fator essencial para amortecer as divergências entre as classes. E viu no fórum um momento oportuno para dois aspectos: estreitar as relações entre as entidades civis e aumentar a consciência de cidadania. Herbert de Souza criticou "as novas formas de tortura que o povo sofre nos anos 90, tempos depois do período da ditadura". Ele destacou o drama do aposentado que morreu na fila do INSS em Niterói (RJ), antes de receber os parcos Cr$96 mil de aposentadoria. "Foi uma tortura pior do que levar choque elétrico", afirmou. "Antifederal" convicto, ele defendeu um pensamento global e uma atuação local, com redistribuição dos impostos. E exemplificou: 10% da arrecadação seriam do governo federal, 30% do estadual e 60% do municipal. "Assim se acabaria de vez com a corrupção nos altos escalões", justificou. A representante da OAB admitiu que a defensoria pública não tem condições de atender a todos, principalmente com o empobrecimento cada vez maior da população e o consequente aumento da demanda pelo serviço. O presidente da CGT-RJ criticou a vaidade de cada entidade representativa. É preciso menos imediatismo e mais política nas atitudes, disse. O presidente da CUT-RJ concordou. Segundo Washington da Costa, "hoje se discute por questões imediatas, como salário, quando a luta pela transformação da sociedade deve ser política" (JB).