A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) suspendeu ontem a negociação das ações da Mannesmann S/A nas Bolsas de Valores do Rio, São Paulo e Belo Horizonte (que reúne também as de Brasília e Espírito Santo). A siderúrgica teve sua falência requerida pela empresa Olipar Administração, Participação e Fomento Mercantil Ltda., de Belo Horizonte. A ação foi proposta no dia quatro de maio, baseada em duplicata mercantil no valor de Cr$1,296 milhão, emitida em agosto de 1991 pela TCRM -- Transportadores Contínuos, Roletes, Mecânica, Indústria e Comércio Ltda., também de Belo Horizonte. Em sua justificativa, encaminhada ontem à CVM (e recusada), a Mannesmann alegou que a duplicata não poderia ter sido emitida por se referir à compra e venda de mercadorias que foram recusadas e devolvidas pela siderúrgica à TCRM, sua fornecedora. As mercadorias são quatro mancais (eixos). A CVM não aceitou a justificativa apresentada pela Mannesmann e vai manter suspensa a negociação das ações até que a empresa deposite em juízo a quantia reclamada afim de eliminar a falência. Ontem, a assessoria de imprensa da Mannesmann informou que somente hoje a empresa deverá efetuar o depósito. A assessoria informou também que a empresa tentará ainda um "último esforço" junto à TCRM e Olipar para uma solução negociada da questão. Se isso não for possível, a siderúrgica irá apresentar sua defesa no processo falimentar. O chefe da Assessoria de Comunicação da empresa, Antônio Carlos Pereira Ratton, disse que "o prejuízo financeiro é dos acionistas. Estamos preocupados é com a imagem da empresa que fica machucada". Segundo a assessoria da Mannesmann, a TCRM tentou acertar com a Olipar a recompra do título, mas não conseguiu. Informa ainda que, em 16 de novembro de 1991, a TCRM entrou com ação de consignação em pagamento à Olipar, ainda não julgada na Justiça de Belo Horizonte (FSP) (O Globo) (JB) (GM).