Três dias após investir US$51 milhões na compra da COPESUL, integrando o consórcio que arrematou a empresa-- no qual tem 4,07% de participação--, o Banco Econômico S/A centralizou, ontem, todos os negócios administrativos da região Sul em Porto Alegre. A mudança faz parte de um plano estratégico que visa aumentar sua participação no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que hoje respondem por uma parcela de 9% da captação gerada, e marcar o ingresso do Econômico no MERCOSUL através do mercado gaúcho. O primeiro passo rumo ao MERCOSUL será consolidado com a abertura de uma agência em Montevidéu, no Uruguai, ainda neste semestre, para "realizar negócios internacionais". Na Argentina, porém, não há previsão de instalar agências. O banco está mudando o perfil de seus mais de 1,3 milhão de clientes, abandonando a idéia de instituição popular e investindo na segmentação do mercado. Esse processo, que internamente é chamado de rentabilização, foi iniciado neste ano e não tem prazo para terminar. "Não vamos enxotar nossos clientes, apenas torná-los viáveis", explicou o novo presidente do Econômico, Alfred de Castro Kirchhoff, há um mês no cargo. O banco tem hoje 400 mil clientes, com Cr$155 bilhões em depósitos a vista, e 900 mil poupadores em caderneta, com saldo de Cr$900 bilhões. O plano de "depuração" prevê a redução ou substituição de 40% do total de clientes, mantendo apenas aqueles com saldo médio equivalente a US$100 (Cr$263.500,00). "Queremos pessoas com capacidade de fazer negócios". O projeto inclui um trabalho interno de reciclagem dos funcionários e investimentos de US$8 milhões em informatização, para atender a um tipo de cliente que cada vez menos quer ir à agência, preferindo usar a possibilidade do telefone e do fax. Essa especialização e a personalização do atendimento levará o Econômico a criar o seu "private bank" no prazo de seis a 12 meses. Queremos continuar crescendo no setor financeiro e no petroquímico, disse o presidente da instituição, Alfred Kirchhoff, substituto de Ângelo Calmon de Sá desde que este passou a integrar o primeiro escalão do governo federal. Segundo ele, o Econômico não participará da diretoria executiva da COPESUL, mas segundo o acordo de acionistas, integrará o conselho administrativo da empresa. O Econômico já havia aplicado US$87 milhões quando da privatização da USIMINAS, mas não há planos de participar de outros leilões do processo de desestatização neste ano (JC) (JB) (GM).