O governador do Acre, Edmundo Pinto de Almeida Neto (PDS), 38, foi assassinado com dois tiros na madrugada de ontem, em São Paulo, no apartamento que ocupava no Hotel Della Volpe, no centro da cidade. A Polícia não possuia até ontem às 20h pistas seguras que permitissem definir as causas do homicídio ou prender seus autores. Trabalhava-se com as hipóteses de crime político ou latrocínio. A suposição de que o assassínio ocorreu por motivos políticos tem como fundamento disputas partidárias acreanas ou o fato de Edmundo Pinto estar envolvido na malversação de verbas do FGTS, no mesmo episódio que provocou a queda do ex-ministro Antônio Rogério Magri (Trabalho e Previdência Social). O governador assassinado deveria depor no próximo dia 20 na CPI do Congresso Nacional que investiga o caso. A hipótese de simples latrocínio é por sua vez baseada na constatação de que os assassinos roubaram de Cr$500 mil a Cr$600 mil do apartamento onde o governador estava hospedado. Também foram roubados US$1.500 de John Franklin Jones, hóspede de um apartamento no mesmo andar onde estava o governador. A presidente do Tribunal de Justiça do Acre, Miracele de Souza Lopes Borges, disse que o governador Edmundo Pinto lhe havia relatado por telefone que estava recebendo ameaças de morte há vários dias. Ela disse que, na última conversa que ambos tiveram, o governador afirmou que se a CPI do Congresso concluísse que teria havido superfaturamento nas obras do Canal da Maternidade, em Rio Branco, tomaria duas atitudes. No primeiro caso, se a responsabilidade fosse do próprio governo do estado, iria demitir os funcionários envolvidos. No segundo caso, se a responsabilidade fosse da construtora Norberto Odebrecht, o contrato seria rescindido. O assassinato do governador do Acre tem bastidores que, para a polícia, começaram a se desenrolar desde a segunda quinzena de março-- quando executivos da Odebrecht, que moram em São Paulo, passaram a receber telefonemas com ameaças de morte e sequestro. A razão desses telefonemas foi uma reportagem publicada na revista "Veja", de 18 de março passado, que detalha o suposto envolvimento da construtora com o caso Magri. Três quartos no mesmo andar do hotel onde o governador foi assassinado eram ocupados por funcionários da construtora Odebrecht. O ministro da Justiça, Célio Borja, disse que a Polícia Federal somente participará das investigações sobre o assassinato do governador do Acre se houver a configuração de crime federal ou político. As primeiras declarações do ministro apontaram para a hipótese de o governador ter sido vítima de um assalto. O governador em exercício do Acre, Ilson Ribeiro, disse que a situação no estado estava tranquila, mas pediu ajuda para o translado do corpo de Edmundo Pinto para Rio Branco (FSP) (O Globo) (JB).