A Bolívia intensificará as gestões junto ao Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL) para ingressar no organismo, na qualidade de associado, numa previsão de que o Pacto Andino seja desarticulado, afirmou, neste sábado (16), o vice-ministro de Integração, Bernardo Inch. Ele disse que essa condição permitirá ao país participar de alguns programas do MERCOSUL, sem deixar de pertencer ao Pacto Andino, que luta por sua subrevivência, depois da crise dos últimos meses entre dois de seus membros, a Venezuela e o Peru. O artigo 20 do Tratado de Assunção, que deu origem ao MERCOSUL, estabelece que qualquer país que solicite seu ingresso nesse organismo econômico não deve pertencer a outro órgão. Por isso, o vice-ministro disse que a Bolívia solicitará ao MERCOSUL seu ingresso como associado, não como membro pleno, para evitar renunciar ao Acordo de Cartagena, ao qual pertence há 23 anos. Inch justificou a posição boliviana dizendo que a desarticulação do Grupo Andino afetaria suas exportações para o Peru, Colômbia, Equador e Venezuela. A entrada da Bolívia no MERCOSUL se baseia em vantagens comerciais oferecidas pela relação econômico-comercial com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A Bolívia faz fronteira com a Argentina, Brasil e Paraguai e mantém relações comerciais importantes com o Uruguai, o que facilita seu ingresso no MERCOSUL. Inch disse, ainda, que, sem ser membro pleno do MERCOSUL, seu país exportou, em 1991, produtos no total de US$297 milhões aos quatro países que integram este grupo econômico. De seus quatro sócios andinos, a Bolívia faz fronteira apenas com o Peru, usando outros países como ponte para chegar à Colômbia, ao Equador e à Venezuela, o que faz subirem os custos dos fretes de transporte, impedindo-a de ingressar nesses mercados com preços competitivos. Em junho, será realizada na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra uma reunião de emergência entre os vice-chanceleres da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, com os diretores da Junta do Acordo de Cartagena, quando farão uma análise do processo de integração do Pacto Andino (JC).