O economista Osvaldo Scanavino, sócio da multinacional de consultoria empresarial Ernst e Young na Argentina, avalia que as fronteiras físicas entre os países que formarão o MERCOSUL a partir de 1994 já são mera formalidade. Scanavino esteve no Brasil nos últimos dias 11 e 12, em visita de estudo sobre a integração econômica do país com a Argentina. O economista afirmou que as grandes empresas comerciais já não pensam apenas nos mercados locais e estão traçando estratégias de operação nos países vizinhos, mesmo antes da queda das barreiras alfandegárias. Um reflexo deste início de integração econômica, que se adianta ao cronograma oficial estabelecido pelos governos dos países do Cone Sul, seria o aumento na demanda de serviços de consultoria relativos à estrutura de mercado dos países que comporão o MERCOSUL. Tanto no Brasil como na Argentina, a Ernst e Young vem registrando crescimento acentuado nas áreas de consultoria de mercado, assessoria comercial e adaptação de produtos e serviços de empresas interessadas em expandir seus negócios junto aos países vizinhos. O parâmetro utilizado pelo economista para medir o interesse de empresários no MERCOSUL é relevante, pois, segundo Scanavino, os serviços de uma boa empresa de consultoria comercial são indispensáveis ao estabelecimento de negócios além das fronteiras. Os aspectos contábeis, financeiros, jurídicos e fiscais, particulares de
46899 cada país do Cone Sul, tornam obrigatório o contato com uma empresa de
46899 consultoria econômica. E, mesmo depois da queda das barreiras
46899 alfandegárias, que irá desburocratizar as relações comerciais e
46899 empresariais entre estes países, este tipo de serviço continuará
46899 indispensável, mas cada país manterá sua estrutura tributária, afirma. Para Júlio Sérgio Cardozo, diretor de marketing da Ernst e Young no Brasil, as relações comerciais entre a Argentina e o Brasil poderiam, no entanto, estar ainda mais adiantados. Ele avalia que, embora crescente, o interesse demonstrado pelos empresários dos dois países pelo MERCOSUL ainda é tímido, se levado em conta a estrutura industrial de ambos e o volume potencial de recursos das relações comerciais com a extinção das tarifas alfandegárias. Segundo Cardozo, o parque industrial dos dois países se complementa em inúmeros setores, projetando benefícios econômicos para ambos com a formação do mercado comum. Seriam ainda complementares os setores agrícola, de extração mineral e de prestação de serviços. As maiores dificuldades para o incremento da integração entre os dois países, adianta, seriam os problemas políticos enfrentados pelo Brasil para o gerenciamento de seus planos de ajuste econômico. Ainda enfrentamos uma inflação alta, incompatível com o projeto de
46899 integração das economias dos países do Cone Sul. Enquanto a Argentina vem
46899 retomando o crescimento econômico com índices mensais de inflação de
46899 menos de 2%, no Brasil sofremos com a recessão e inflação de dois
46899 dígitos. O controle da economia brasileira é fundamental para o
46899 incremento das relações comerciais com seus vizinhos, observa Cardozo. Sem as barreiras alfandegárias, Cardozo acredita que as trocas comerciais e de capital entre os países do MERCOSUL poderão chegar, inicialmente, a US$100 bilhões/ano. Com a possível adesão do Chile ao Mercado Comum do Cone Sul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), este será, segundo Cardozo, o terceiro mais importante bloco econômico mundial. Atrás dos mercados comuns formados pelos EUA, México e Canadá e pelos países europeus, o MERCOSUL competirá em volume de negócios com o mercado do Pacífico Sul, formado pelos Tigres Asiáticos. Scanavino conclui, por sua vez, que "estamos no início de uma nova era econômica, na qual as empresas de consultoria terão papel primordial. Em breve não se falará mais de comércio entre países, mas entre blocos econômicos, e as empresas de consultoria serão necessariamente a ponte de ligação entre eles" (JC).