EX-MINISTRO PREVÊ EXPANSÃO DE 53% DA DÍVIDA INTERNA

Até o final do ano, a dívida interna de todo o setor público terá aumentado 53% em valores reais (acima da inflação), voltando aos níveis do final do governo Sarney, e terá sido em vão o sacrifício da população com o sequestro das aplicações financeiras imposto pela equipe da ex-ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello. Uma estimativa preparada pela MCM Consultores Associados, empresa do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega mostra que a dívida pública total, em 1992, passará de US$60,4 bilhões para US$92,4 bilhões, próxima dos US$102,2 bilhões no final de 1989. O calote na dívida aplicado pela equipe de Zélia, que congelou no Banco Central 80% das aplicações financeiras, permitiu uma redução no total do endividamento público de 24,6% do PIB, no primeiro trimestre de 1990, para 14% do PIB, em setembro de 1991, quando começaram as liberações dos cruzados novos retidos. O início das liberações coincidiu com dois fatores: a aceleração das taxas de juros, para refrear o crescimento da inflação, e a entrada maciça de dólares no país, um capital atraído pela remuneração paga pelos títulos do governo. Com essa combinação começou também a trajetória de crescimento da dívida interna, já que o governo não tem recursos tributários para bancar os custos financeiros e precisa emitir novos títulos para pagar os juros (JB).