O mundo vai experimentar um enorme crescimento econômico nos próximos 40 anos, conforme aponta o relatório "Desenvolvimento e Meio Ambiente" que o BIRD (Banco Mundial) divulga oficialmente hoje. Pelas projeções, a produção das nações do Terceiro Mundo quintuplicará até o ano de 2030 e a renda per capita latino-americana vai ultrapassar os US$5 mil. O otimismo do estudo vem seguido de um alerta para o risco de deterioração da qualidade de vida, caso a poluição e destruição ambiental aumentarem na mesma proporção da atividade produtiva. Com essa preocupação, o BIRD avisa que só terão acesso aos recursos previstos em US$19 bilhões, a partir de junho, projetos voltados à busca de tecnologias despoluidoras e políticas de proteção à natureza e erradicação da pobreza. Segundo o documento do BIRD, os programas para a solução dos problemas mundiais de meio ambiente devem ser custeados, em sua maior parte, pelos países desenvolvidos. O BIRD justifica sua posição argumentando que os países industrializados são os principais responsáveis pelas emissões dos gases causadores do efeito estufa e os países em desenvolvimento precisam dar prioridade à solução de problemas como falta de saneamento, degradação do solo e poluição da água e do ar. Os investimentos necessários para projetos de desenvolvimento sustentável-- que levem em conta o impacto ambiental-- somam US$75 bilhões (Cr$195 trilhões) por ano, o equivalente a 1,4% do PIB dos países em desenvolvimento, segundo estimativas do BIRD. O relatório aponta ainda a necessidade de os países em desenvolvimento terem acesso a tecnologias menos poluentes e afirma que a adoção de políticas ambientais nos países em desenvolvimento beneficiarão também os países ricos, que, portanto, devem compartilhar os custos. De acordo com o BIRD, os problemas ambientais enfrentados pelos países em desenvolvimento representam ameaça mais iminente à vida do que aqueles dos países ricos-- emissões de dióxido de carbono, destruição da camada de ozônio, chuva ácida e resíduos tóxicos. Em 1989, os países ricos jogaram na atmosfera mais de 2,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, resultado do consumo de combustível fóssil e da produção de cimento. Nos países de renda média-- entre eles o Brasil, segundo a classificação do BIRD-- a emissão ficou em torno de um bilhão de toneladas, enquanto nos países pobres ficou pouco abaixo desse limite. Segundo o BIRD, a agenda para o desenvolvimento sustentado é a seguinte: 1) as prioridades: =-- um terço da população Mundial vive Em condições sanitárias inadequadas e um bilhão não têm água potável; -- um bilhão e 300 milhões de pessoas respiram ar impregnado de pó e fumaça; -- centenas de milhões de agricultores, gente que vive da extração vegetal e povos da floresta, dependem mais acentuadamente da terra e do equilíbrio ambiental para viver; 2) as políticas: =-- remover subsídios que estimulam O uso excessivo de combustíveis fósseis, irrigação, pesticidas e corte de madeiras; -- definir os direitos de propriedade e administração da terra, florestas e zonas de pesca; -- apressar a limpeza das águas, a educação (especialmente de mulheres), do planejamento familiar, da extensão, crédito e pesquisa agrícolas; -- fortalecer, educar e envolver agricultores, comunidades locais, índios e mulheres na tomada de decisões sobre investimentos que tenham impacto sobre o meio ambiente; 3) o papel dos ricos: -- fornecer "know-how, tecnologias e investimentos; reformas fiscais, abertura do comércio e do mercado de capitais pelos países pobres podem ajudar; =-- auxiliar no combate à pobreza e na Redução do crescimento populacional; =-- financiar a preservação dos ecossistemas e assumir responsabilidade por problemas criados pelos próprios países desenvolvidos, como a destruição da camada de ozônio (O ESP) (O Globo) (JB).