Um grupo de armazenadores de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul é responsável pelo desaparecimento de 500 mil toneladas de arroz, milho, feijão e mandioca dos estoques reguladores oficiais. Com os produtos desviados daria para distribuir 13,1 quilos de alimentos a cada uma das 38 milhões de famílias brasileiras. Os armazenadores provocaram um prejuízo de Cr$120 bilhões ao Tesouro Nacional. O presidente Fernando Collor, que na campanha eleitoral prometeu punir os responsáveis pelo desvio de alimentos, autorizou um empréstimo com juros favorecidos para legalizar as irregularidades cometidas pelos donos de armazéns. O presidente da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), Paulo Roberto Cunha, que está conduzindo a negociação, quer uma solução amigável para os 20 mil processos de quebra do peso estocado ou fraude que se acumularam nos cinco anos. A negociação inclui até mesmo os 1.150 processos que já tramitam na Justiça. "Todos os processos poderiam ir para a Justiça, mas levaria 15 anos para cobrar o prejuízo. Por isso queremos compor a dívida até mesmo dos armazenadores que estão sendo processados, se o juiz autorizar", afirma Paulo Cunha. Ele disse que esta é a única saída possível para garantir a estocagem da safra deste ano-- cerca de 72 milhões de toneladas. Do contrário, os armazéns seriam descredenciados e o governo não teria onde guardar a safra (FSP).