MULTINACIONAIS ABANDONAM MICROELETRÔNICA

A primeira experiência de abertura de mercado do país nas últimas décadas levou a uma estrondosa "fuga de capitais"-- legal, anunciada e realizada à luz do dia. As maiores empresas de componentes eletrônicos do mundo desativaram suas linhas de produção no país. Deixando a previsão de que a microeletrônica no Brasil está com seus dias contados, cessaram a fabricação de semicondutores e circuitos integrados a NEC (primeira fabricante mundial do setor), a Texas Instruments (a sétima no ranking), Siemens, Philips e a Fairchild (comprada pela National Components e depois desativada). Diante da possibilidade concreta de ter de competir com os importados-- produzidos por outras filiais de seus grupos-- as gigantes do setor eletrônico chegaram a um único diagnóstico: suas fábricas haviam virado sucata. A tecnologia ficou ultrapassada e a escala de produção era tímida diante do que as mesmas empresas produziam nos chamados "Tigres Asiáticos". "Ficamos obsoletos", diz Antônio Motta, diretor-comercial da Texas. Ela encerrou as atividades em junho do ano passado, demitiu 260 funcionários e preservou uma equipe de 12, especializados em projetos e importação de componentes para seus clientes (FSP).