EXÉRCITO EXPULSA PORTADORES DE HIV

Expulso do Exército em maio de 1990 por ser portador do vírus da AIDS, o soldado Paulo César Quirino de Paula, de 23 anos, chegou rapidamente ao fundo do poço. No dia 21 de janeiro deste ano, já longe do sonho de saltar de pára-quedas e enlouquecido pela doença, ele colheu sangue de seu próprio corpo e, com uma seringa, contaminou a irmã de sete anos. A menina é agora portadora do vírus da AIDS. No mesmo dia, Quirino tentou estrangular a outra irmã, mas foi impedido por vizinhos. Uma semana antes da tragédia, no dia 14 de janeiro, o soldado tentara sem sucesso o suicídio, pulando do 7o. andar do Hospital Central do Exército, em Triagem, no Rio de Janeiro (capital). Desesperada, a mãe de Quirino, a enfermeira Rosa de Paula, pediu para que o filho fosse mantido no HCE. O soldado, no entanto, foi mandado para casa. A história do pára-quedista, hoje condenado a conviver com a doença sem contar com apoio de toda a família, é apenas uma das muitas geradas nas fileiras do Exército brasileiro. O número de casos é segredo militar, mas a tática de combate à doença é a mesma: a expulsão, sem direito a qualquer auxílio financeiro ou tratamento médico. O Exército chega a impedir o acesso dos portadores do vírus a seus exames de sangue e esconde a doença nos documentos oficiais, numa tentativa de impedir que os militares expulsos busquem na Justiça a reintegração à tropa (O Dia).