Milhares de crianças e adultos, em várias regiões do Brasil, estão trabalhando em regime forçado ou de completa escravidão. Negros e mulatos recebem salários mais baixos que brancos e são discriminados em todas as categorias profissionais. Inspetores de trabalho, responsáveis pela fiscalização das leis, afirmam que trabalham em condições precárias e que não têm como combater o trabalho escravo e a prática ilegal de desconto nos salários de gastos com alimentação e transporte. É essa a situação em que se encontra o Brasil segundo relatório preparado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho). O relatório afirma que o Brasil está violando pelo menos oito convenções sobre trabalho e que o governo, em alguns casos, sequer adaptou suas leis aos compromissos assumidos. As denúncias e críticas mais graves em relação ao Brasil são as de trabalho forçado e escravo. Segundo um grupo de técnicos da ONU que debate o relatório da OIT, os regimes de trabalho impostos no Brasil são "formas modernas de tortura". O governo brasileiro declarou à OIT que, em matéria de emprego e ocupação, não existe no país nenhuma prática de discriminação. Disse ainda que toda campanha de educação contra a discriminação no emprego é inútil, "pois no Brasil nenhuma política discriminatória encontra eco". O governo também garantiu à OIT que no país não se praticam distinções, exclusões ou preferências por classe alguma e que, portanto, não é necessário estabelecer um sistema de estatística. Essas declarações constam do relatório da comissão de especialistas da OIT. São as explicações do governo brasileiro para rejeitar sugestões para que o país adote medidas de combate à discriminação (O Globo).