Os ministros militares presentes ontem ao seminário interno do governo convocado pelo presidente Fernando Collor criticaram os baixos salários da categoria. O Palácio do Planalto vetou a divulgação da íntegra dos discursos. Na verdade, os ministros disseram no encontro o que já haviam dito antes, em entrevistas: o anteprojeto de isonomia salarial não resolve o problema. "É uma injustiça a disparidade salarial existente entre os três Poderes", afirmou o ministro-chefe do EMFA (Estado-Maior das Forças Armadas), Antônio Luiz da Rocha Veneu. Os ministros militares falaram também da possível criação do Ministério da Defesa. Eles acham que o Ministério da Defesa tem estrutura mais adequada ao sistema parlamentarista. O ministro da Justiça, Célio Borja, revelou estar preocupado com o que chamou de ameaça de Instabilização das instituições políticas". Segundo ele, esse problema poderá ser provocado "em um tempo muito curto", devido ao "grave quadro" de violência e falta de respeito aos direitos humanos no país. O ministro do Trabalho e Administração, João Mellão, afirmou que "o governo age, mas não faz: cria condições para a sociedade se engajar". Em seguida, anunciou a implantação de um programa que usará os fundos sociais como instrumentos para políticas de emprego e criar uma comissão de estudo para reformar o serviço público. Ele anunciou também a criação de um programa especial de combate às fraudes no seguro-desemprego. Uma das formas de combater o problema será a assinatura de convênios com as prefeituras para que o beneficiário do seguro-desemprego preste serviços à comunidade ou passe por uma reciclagem profissional. O secretário da Administração, Carlos Garcia, fez um balanço positivo do Siape (Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos), que já permite uma visão instantânea do número de servidores federais, suas funções e remuneração. E informou que a secretaria está cruzando as informações com as listas de servidores de estados e prefeituras, para detectar a existência de pessoas com duplo emprego. O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, pediu ao final do seu discurso mais recursos para o seu ministério. O vice-presidente Itamar Franco, recém-operado de um problema dentário, não participa do seminário (O ESP) (JB).