O governo lança hoje uma nova ofensiva para envolver a sua equipe e a classe política na defesa dos projetos que considera prioritários para garantir a estabilidade do país. A estratégia pretende aliviar as pressões pela liberação de recursos, convencer a nova equipe das dificuldades financeiras que o Tesouro enfrenta e convocá-la para uma ação efetiva junto ao Congresso Nacional, que viabilize a aprovação desses projetos. O Seminário de Articulação das Ações do Governo Federal vai abrir espaço para todos os ministérios colocarem suas demandas e prioridades, mas a assessoria do presidente Fernando Collor de Mello e a do ministro Marcílio Marques Moreira já anteciparam que os assuntos prioritários são ajuste fiscal e privatização. O secretário-executivo do Ministério da Economia, Luís Antônio Gonçalves, disse que o seminário será a oportunidade de a equipe econômica mostrar a importância do ajuste fiscal e da privatização para que o programa econômico tenha sucesso. O conhecimento mais detalhado da situação econômica e da necessidade urgente de implementação das medidas estruturais é a arma que a equipe pretende usar para garantir apoio e a atuação política de todos os ministros junto ao Congresso Nacional para aprovar o ajuste fiscal, que aumentará impostos e transferirá para estados e municípios algumas atribuições da União. A participação dos secretários de Desenvolvimento Regional, Eliezer Batista, e da Ciência e Tecnologia, Hélio Jaguaribe, vai enfatizar a preocupação do governo com os projetos de médio e longo prazos. Cada ministro terá oportunidade de sugerir as ações que considera prioritárias. O ministro da Justiça, Célio Borja, vai defender uma maior proteção às crianças e aos adolescentes de rua e a integração dos governos federal e estadual para obter uma estatística real do extermínio desse menores. O ministro do Trabalho, João Mellão, vai apresentar estatística sobre o nível de emprego no país e sugerir mudanças no seguro-desemprego (FSP).