MERCOSUL FAZ LACALLE CRITICAR A ARGENTINA

O presidente do Uruguai, Luís Alberto Lacalle, censurou ontem duramente o ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, que dias atrás afirmou estar muito pessimista quanto ao cumprimento dos prazos do MERCOSUL devido às dificuldades ainda vividas pelo Brasil para resolução de seus problemas macroeconômicos. Lacalle acredita que Cavallo tenha errado ao dizer que os prazos para eliminação das alíquotas serão estendidos: "Se começarmos com adiamentos, sobrevirá uma doença que defino como postergationitis, e neste caso nem nossos filhos verão a integração se realizar". Numa firme defesa do Brasil e de seus esforços para pôr a economia em dia, o presidente uruguaio afirmou que os sócios do MERCOSUL fossem levar em conta a situação macroeconômica de cada país no momento em que o Tratado de Assunção foi firmado, em 26 de março do ano passado, o mercado comum jamais sairia: "A economia argentina não era naquela época um modelo de virtudes", lembrou. Lacalle admitiu que a Argentina desfruta agora de estabilidade, mas observou que isto "não dá (ao ministro Cavallo) autoridade, não lhe dá força para fazer uma crítica dizendo que tudo vai funcionar ou não porque o Brasil vai mal". O presidente do Uruguai conclamou para que uma maneira de pensar positivamente seja estabelecida, não esclarecendo, porém, se isto se limitava aos argentinos ou deveria ser estendido também aos paraguaios. Anteontem, seguindo-se às declarações de Cavallo, o jornal ABC Color, o principal de Assunção, informou que o Paraguai estava prestes a deixar o MERCOSUL porque via mais prejuízos do que benefícios a curto prazo para sua economia. O governo negou mas persiste a dúvida pois o diário geralmente expressa posições do meio empresarial, que por diversas vezes já se manifestou contrariamente ao MERCOSUL. Lacalle chamou a atenção para o fato de que o MERCOSUL vai representar um mercado de 190 milhões de consumidores, dos quais 140 milhões são brasileiros, com um produto global de US$415 bilhões, mais da metade de toda a América Latina. Ao se referir às dificuldades enfrentadas pelo processo de integração, o presidente uruguaio afirmou que dentro de cada país sempre há aqueles para quem "a liberadade econômica é um veneno mortal". E concluiu: Se vivem à sombra de um decreto protecionista, de uma tarifa, de uma sobretaxa, é bom mesmo que deixem de existir, pois o mundo é assim" (JB).