Os paraguaios não vão descartar a integração no MERCOSUL mas pedirão um adiamento até o ano 2000 para que a economia do país consiga absorver, sem grandes traumas sociais, a nova ordem econômico-comercial que deverá surgir com o fim das barreiras tarifárias no intercâmbio de bens e serviços com o Brasil, Argentina e Uruguai previstas para janeiro de 1995. O Paraguai necessita no mínimo de mais oito anos para que sua economia
46827 começe a entrar gradualmente no MERCOSUL, afirmou à agência ""EFE"" o economista Amado Benitez Gamarra, prefeito da Ciudad del Este, maior centro comercial paraguaio e, segundo os observadores, principal prejudicado com a integração. Na opinião de Benitez Gamara-- que reflete a posição dos empresários reunidos na União Industrial Paraguaia (UIP)--, se a redução das tarifas permanecer no ritmo de 7% ao semestre (atualmente estão em 54%), a economia do Paraguai entraria com muitas desvantagens na primeira etapa da integração do MERCOSUL: "O desenvolvimento produtivo de nosso país é bem inferior ao da Argentina ou do Brasil, nossos maiores parceiros comerciais", afirmou Benitez, "por isso, antes de qualquer integração, temos de realizar investimentos para melhorar nossa competitividade". O prefeito também considera a unificação tarifária para importação de países não pertencentes ao MERCOSUL um risco para os negócios locais que se beneficiam de vantagens alfandegárias para revender produtos estrangeiros exatamente aos argentinos, brasileiros e uruguaios. "Temos medo que o MERCOSUL prejudique nossa atividade, que rende ao país US$9 bilhões ao ano, e reverta o quadro próspero a que nos habituamos", acrescentou. A Cidad del Este, capital do Departamento de Alto Paraná, tem um movimento anual de 12 milhões de turistas e despacha 40% de toda a exportação paraguaia (O ESP).