MENOR SALDO MIGRATÓRIO EM SÃO PAULO

Os dados preliminares levantados pelo IBGE que estão sendo interpretados pela Fundação SEADE indicam significativas alterações no padrão migratório da região metropolitana de São Paulo e nos municípios vizinhos. Pela primeira vez desde a década de 40, o saldo migratório-- calculado pela diferença entre a população que vem para São Paulo e aquela que deixa a cidade-- registrou um número negativo, de 433 mil pessoas. O número surpreendeu os analistas, pois até o final dos anos 70 ele era positivo e ascendente, cainda drasticamente a partir do início da década passada. O resultado migratório foi consequência, também, da diminuição no ritmo de crescimento demográfico da cidade, que passou de 3,67% ao ano entre 1970 e 1980 para 1% ao ano entre 1980 e 1991. Contribuiu também a redução da taxa de fecundidade detectada pelo IBGE no município de São Paulo, que passou de 3,21 filhos por mulher no início dos anos 80 para 2,25 filhos no final da década. Simultaneamente, foi constatado um movimento da população em direção à periferia de São Paulo, em especial para as cidades-dormitório como Cotia, Santana do Parnaíba, Caieiras e Guaianazes (aumento de mais de 4% ao ano), enquanto os distritos industriais tiveram taxas de crescimento menores, como São Bernardo do Campo (de 2% a 4%), Capela do Socorro (de 2% a 4%), Santo André (de zero a 2%), Santo Amaro (de zero a 2%), ou mesmo negativas, como São Caetano do Sul. A mesma queda demográfica foi detectada no centro da cidade, onde a maioria dos bairros apresentou taxas negativas, com exceção de 18 bairros, de um total de 48 (GM).