Os ministros militares vão criticar amanhã na reunião ministerial convocada pelo presidente Fernando Collor a possibilidade de redução dos efetivos militares. Esta redução faz parte da proposta do secretário de Defesa norte-americano, Dick Cheney, para as Forças Armadas da América Latina. Em conversas reservadas, os militares se mostram preocupados com a idéia de redução de efetivos. A maior apreensão é de que a proposta esteja escondendo a intenção de formar uma força militar permanente na OEA (Organização dos Estados Americanos), que poderia justificar eventuais intervenções militares dos EUA na América Latina. O chefe do EMFA (Estado-Maior das Forças Armadas), general Antônio Luiz Rocha Veneu, vai fazer durante a reunião uma exposição sobre o Ministério da Defesa, que absorveria os atuais ministérios militares. Veneu dirá que a idéia é prematura. Na opinião dos militares, um Ministério da Defesa seria adequado apenas a um regime parlamentarista. Veneu vai pedir "cautela" e sugerir que, uma vez decidida a criação do novo ministério, seja determinado um período de transição de dois anos. Para não ser atropelado, o EMFA já trabalha em um anteprojeto de emenda constitucional sobre o assunto. O Ministério da Defesa diminui os poderes dos ministros militares, que passariam para um segundo escalão na hierarquia pública federal, pois o Ministério da Defesa criaria mais um escalão entre o presidente da República, chefe supremo das Forças Armadas, e os chefes militares. Quem condena o Ministério da Defesa garante que haveria um aumento nas despesas da nova pasta (FSP) (JB).