PARAGUAI PODE ABANDONAR O MERCOSUL

O Paraguai poderá anunciar brevemente sua saída do MERCOSUL e, segundo os observadores, a iniciativa deverá lançar uma onda de incertezas sobre o futuro da integração comercial e econômica latino-americana. Com uma manchete de primeira página, o jornal paraguaio "ABC Color", em sua edição de ontem, afirma que após intensas consultas o governo do presidente, general Andrés Rodriguez, considerou mais prejudiciais que benéficos os efeitos da integração com os países vizinhos-- Brasil, Argentina e Uruguai. A possível retirada paraguaia do projeto do MERCOSUL faz parte de uma
46797 estratégia para manter milhares de empregos no país, declarou uma fonte do sindicato patronal União Industrial Paraguaia (UIP), próxima às negociações da integração regional. "De acordo com as investigações governamentais, o fim das barreiras tarifárias eliminaria as zonas de livre comércio como a da Ciudad del Este (330 km a leste de Assunção), na fronteira com o Brasil e a Argentina, que emprega 30 mil pessoas e movimenta diariamente US$22 milhões", disse a fonte do empresariado ao jornal paraguaio. Ontem mesmo, no entanto, o governo paraguaio procurou desmentir a informação do jornal. "É puro sensacionalismo", declarou o ministro da Integração, Juan Carlos Wasmossy. Ele, o ministro do Comércio, Martín Burt, e o ministro da Justiça e Trabalho, Hugo Estigarribia, disseram que as informações publicadas eram falsas e "não refletiam o pensamento do presidente Rodriguez". Nenhum deles, contudo, rebateu a argumentação apresentada pelo jornal paraguaio sobre a provável extinção das zonas de livre comércio do país a ser desencadeada com a integração regional. O "ABC Color" afirma que a cada dia surgem mais evidências de que o MERCOSUL não é um bom negócio para o país a curto prazo e que, apesar do desmentido oficial, a comunicação da saída do Paraguai vai ser feita em breve (O ESP) (JB).