O governo brasileiro comprará de US$3,5 bilhões a US$4 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA para oferecer como garantia ao pagamento da dívida externa. A proposta está sendo discutida, esta semana, com os bancos credores e prevê que, deste total, US$1,5 bilhão será retirado das reservas internacionais brasileiras. Cerca de US$1,3 bilhão deverá vir do FMI, BIRD e BID e US$1 bilhão de desembolsos dos próprios bancos, na forma de dinheiro novo ao Brasil. A proposta brasileira é só oferecer os títulos do Tesouro dos EUA como garantia para os bancos aceitarem o desconto de 35% sobre o estoque da dívida, que atinge US$42 bilhões. Com o desconto, a dívida brasileira seria contabilizada em US$27 bilhões. Os bancos que não dessem o desconto perderiam o direito de ter acesso às garantias de pagamento da dívida, que deverá ser reescalonada pelo prazo de 30 dias. O negociador oficial da dívida externa brasileira, Pedro Malan, retomou ontem, em Nova Iorque (EUA), as conversas com os bancos comerciais em uma reunião que contou com a presença de todo o Comitê dos Bancos Credores. Esta fase das negociações está sendo considerada a mais difícil, mas provavelmente a última, em um processo iniciado há quase nove meses (JC) (O Globo).