GRANDES NEGÓCIOS SÃO FECHADOS NA DIREÇÃO DO MERCOSUL

A criação do MERCOSUL (Mercado Comum do Cone Sul) em 1990 foi recebida, pela maior parte dos empresários brasileiros com indiferença. No último ano, contudo, o empresariado brasileiro começou perder essa apatia em relação aos mercados vizinhos. Hoje, alguns grandes negócios estão sendo fechados, na direção do MERCOSUL. Exemplos: Depois de associar-se a uma pequena malteria argentina e comprar outra no Uruguai, a Brahma está duplicando a capacidade de produção das duas unidades. O objetivo é fabricar quase 80% do malte que a empresa usa para fazer cerveja no Brasil. A Indufren, um dos maiores fabricantes de auto-peças da Argentina, vendeu 50% de seu capital a duas empresas do ramo no Brasil, a Cofap e a Freios Varga. Agora, por meio de uma cisão, a área de produção de freios da Indufren será controlada em 50% pela Freios Varga e em 25% cada pela Cofap e pela própria Argentina. A Sancor, maior cooperativa agrícola argentina, com faturamento de US$400 milhões no ano passado, exportou para o Brasil, nos últimos três anos, US$180 milhões. Agora, a partir de um escritório em São Paulo, rastreia a possibilidade de associar-se a uma empresa brasileira para vender laticínios no Brasil e distribuir os produtos da parceria na Argentina. A El Detalhe, fabricante argentina de chassis para ônibus, vai investir US$15 milhões na instalação de uma fábrica no Rio Grande do Sul, provavelmente na Grande Porto Alegre. O grupo brasileiro Odebrecht, por meio da construtora CBPO, instalou um canteiro de obras no sul da Argentina, na região de Neuquém. Lá, em associação com quatro construtoras locais, está erguendo a barragem da hidrelétrica de Pichi-Picún Leufú. Valor do contrato: US$203 milhões. A Brasmotor, líder do mercado de eletrodomésticos de linha branca no Brasil, está negociando a compra de 40% da Whirpool argentina. Com planos de lançar outros produtos na Argentina, como a linha de fogões Semer, a Brasmotor já tem um concorrente brasileiro naquele mercado. A Dako, que também fabrica fogões, acaba de associar-se à Adzen, empresa argentina do mesmo ramo. A Sadia inaugurou há duas semanas um escritório de negócios em Buenos Aires, em edifício situado bem ao lado do porto. de lá vai cuidar da instalação de um sistema de armazenagem e distribuição de seus produtos na Argentina. A meta é vender US$20 milhões já neste ano. As montadoras de automóveis também se mexem. Neste ano 50 mil veículos, metade fabricada no Brasil e metade na Argentina, vão cruzar fronteira entre os dois países até dezembro para ser comercializados. Esses e outros negócios em estudo ou em execução são uma pequena amostra do que poderá acontecer a partir de 1o. de janeiro de 1995. Segundo o artigo primeiro do Tratado de Assunção, que criou o MERCOSUL, daquela data em diante será livre a circulação de bens e serviços, mão-de-obra e capital entre os quatro países signitários do acordo (revista Exame no.10).