Os participantes da Rio-92 vão discutir o meio ambiente cercados por aterros ilegais, lagoas ameaçadas por esgotos, ocupações irregulares de áreas de restinga, dunas sacrificadas para extração de areia e morros ameaçados pela retirada de saibro. A baixada de Jacarepaguá (zona oeste do Rio de Janeiro), onde fica o Riocentro, sede da conferência, sofreu nos últimos 25 anos um processo intensivo de ocupação. Essa ocupação gerou a destruição de parte da vegetação de restinga e até mesmo das cercas de arame farpado que protegiam áreas da Reserva Biológica de Marapendi. Da poluição não escapou nem mesmo o trecho inicial da praia da Barra da Tijuca-- o canal de Marapendi costuma levar para o mar o esgoto despejado por condomínios e ocupações irregulares. As três grandes lagoas da região-- Tijuca, Marapendi e Jacarepaguá-- são as maiores vítimas da urbanização da área. Entre 1970 e 1980, a população da baixada de Jacarepaguá (aí incluída a da Barra da Tijuca) cresceu 52,4%. Para 1990, a LIGTH, companhia de luz, estimava população de 607 mil pessoas na região (FSP).