Os movimentos grevistas fazem parte da normalidade em qualquer país com
46720 sistema econômico capitalista. No Brasil, os dois motores que impulsionam
46720 as greves são a luta pela reposição salarial, devido às perdas causadas
46720 pela inflação, e o alargamento da liberdade proporcionada pelos avanços
46720 democráticos. Porém, a recessão é um fator inibidor da greve e faz com
46720 que as organizações sindicais sejam obrigadas a abrir concessões para
46720 não provocar um aumento maior na taxa de desemprego. A afirmação, do cientista político e pesquisador de questões sindicais do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Sérgio Frreira, é confirmada pelo histórico dos movimentos grevistas no Brasil, que apresentam reações de acordo com a política adotada pelo governo. No primeiro ano da gestão do presidente Fernando Collor, aconteceram 2,2 mil greves no país, envolvendo 12 milhões de trabalhadores. No ano passado, com a decretação do Plano Collor 2 e o agravamento da recessão, o número de greves caiu para 744, 66% a menos do que no ano anterior, com a participação de 8,8 milhões de pessoas. Este declínio nos movimentos grevistas repete os acontecimentos ocorridos entre 1981 e 1984, durante o governo Figueiredo, quando coincidentemente com a intensificação da luta democrática, o país passava por período recessivo semelhante ao atual. Aconteceram 443 greves, envolvendo 1,6 milhão de trabalhadores em 1984. "Em 1985, no início do governo Sarney, a economia do país registrou pequeno crescimento e ocorreu a reconquista do espaço democrático, com a volta de um civil à Presidência. Paralelamente, os movimentos grevistas ampliaram-se, sendo realizadas, naquele ano 676 greves com a participação de 6 milhões de pessoas", observou Sérgio Ferreira. A greve constitui uma arma clássica do trabalhador, e, na opinião do pesquisador do IBASE, os movimentos sindicais brasileiros passam por um processo de amadurecimento. "A greve não pode ser oportunista e, sim, pensada, pois não é a única tática que os sindicatos podem utilizar", afirmou. Segundo ele, a verdade é que o sindicalismo está mais flexível e procurando encarar a greve de forma mais afirmativa. Segundo levantamento feito pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), de 15 de março de 1990 a 31 de dezembro de 1991 ocorreram no país 2.479 greves, envolvendo 19.924.975 trabalhadores e 207.205 horas paradas. Do total de greves, 981 foram feitas no setor público, envolvendo 11.746.841 servidores e 97.681 horas paradas (JC).