BC EXPLICA O NÃO CUMPRIMENTO DAS METAS COM O FMI

O presidente do Banco Central, Francisco Gros, afirmou ontem, no Rio de Janeiro, que o adiamento do desembolso da primeira parcela de US$250 milhões do empréstimo do FMI (Fundo Monetário Internacional), causado pelo descumprimento da meta de déficit público operacional previsto no acordo com o Fundo-- Cr$5,2 trilhões acima do previsto-- não vai afetar o programa econômico do governo. Segundo ele, o acordo assinado no último ano embutia metas que envolviam a expectativa do governo com o projeto de reforma tributária-- encaminhado ao Congresso Nacional em dezembro e que somente deve ser votado no terceiro trimestre deste ano. Segundo ele, as principais causas do déficit operacional registrado no primeiro trimestre foram a queda de Cr$3 trilhões na arrecadação de impostos (Cr$1,2 trilhão decorrente de ações judiciais contra o pagamento do FINSOCIAL), o adiamento da receita que seria gerada pela reforma tributária e o não pagamento da dívida dos estados e municípios. O presidente do BC disse que a decisão de o governo atrasar o saque do empréstimo do FMI baseou-se na previsão de que esses recursos só serão necessários seis meses depois de fechado o acordo com os bancos credores. Gros calcula que esse montante só será usado em fevereiro de 1993, para servir como garantia da dívida externa brasileira (JC) (GM).