O Brasil não conseguiu cumprir a meta mais importante firmada no acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O déficit operacional estourou em Cr$5,2 trilhões neste primeiro trimestre, por causa do crescimento da dívida pública e da queda da arrecadação. O déficit ficou em Cr$10,8 trilhões, valor muito próximo da meta prevista para os primeiros seis meses do ano (Cr$11,4 trilhões). O superávit primário (receitas menos despesas) ficou em Cr$4 trilhões, abaixo dos Cr$6,5 trilhões previstos. Para evitar o desgaste de um pedido de perdão formal ao Fundo ("waiver"), o governo desistiu do desembolso imediato da segunda parcela do empréstimo de US$2 bilhões (cerca de US$250 milhões) acertado com o Fundo. Para cumprir as metas semestrais, será necessário aumentar a arrecadação e controlar rigidamente os gastos públicos. Mas a equipe econômica ressalta o cumprimento de três metas prometidas ao FMI: reservas internacionais, crédito interno líquido e desembolso externo líquido. O crescimento das reservas internacionais ficou acima da meta de US$4,6 bilhões, mas o Banco Central só divulgará esses números na próxima semana. O crédito interno líquido teve uma redução de Cr$21 trilhões, contra os Cr$10,4 trilhos previstos. O desembolso externo líquido, que define os pagamentos da dívida externa, ficou em US$8,6 bilhões, quando a meta era de US$9,6 bilhões. Os números são oficiais e foram divulgados ontem pelo Ministério da Economia (FSP).