Empresas brasileiras nas áreas de petroquímica e de alimentos estão muito interessadas em se instalar em Colonia e Nueva Palmira, no Uruguai, similares da Zona Franca de Manaus (AM). Ao dar essa informação, ontem, em São Paulo, o consultor tributário José Custódio Cotrin, diretor da Price Waterhouse, explica que o interesse das companhias em fazer negócios com países vizinhos não ocorre tanto pelo MERCOSUL (Mercado Comum do Cone Sul) em si, mas pela oportunidade de aumentar a sua competitividade, aproveitando a política de redução de tarifas prevista pela integração comercial entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Segundo ele, o MERCOSUL, no estágio em que está, "não passa de um sonho", devido aos problemas que os países ainda têm pela frente antes de promover a unificação comercial. Também o secretário para Assuntos Internacionais do governo do Estado de São Paulo, Luís Gonzaga Belluzzo, disse ontem, durante o seminário Oportunidades de Investimentos no Mercosul e Privatizações, em São Paulo, que "o MERCOSUL ainda é uma retórica dos presidentes dos quatro países e não uma ação dos empresários". O MERCOSUL já é, no entanto, uma realidade para pelo menos dois bancos latino-americanos. Há um ano, uma associação operacional entre os bancos Nacional, brasileiro, e o francês Del Rio de La Plata, argentino, já está gerando frutos. Sem trocar ações entre si, descobriram que a melhor forma de aproveitar as oportunidades da integração está na prestação de serviços para seus clientes. No momento, os dois bancos coordenam cinco operações internacionais entre Brasil e Argentina nas áreas de compra de participações acionárias nos setores de embalagens metálicas, alimentação, química e moinhos de trigo, além da compra de know-how de uma empresa farmacêutica brasileira junto a outra do mesmo ramo na Argentina. O faturamento esperado com as operações é de US$100 milhões. Até o final do primeiro semestre estará concluída a regularização da integração das bolsas de valores dos países do Mercosul, que formará um mercado de US$100 bilhões. Esse é o valor de mercado das empresas negociadas no Brasil (US$65 bilhões) e na Argentina (US$24 bilhões), basicamente, pois menos de 1% do movimento da Bolsa de Montevidéu (Uruguai) é com ações e o Paraguai ainda está formando sua Bolsa de Valores y Productos de Assunción. O Banco Central e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) estão trabalhando na regulamentação da Resolução no. 1.901, de janeiro, que pavimentou o caminho da integração pelo lado brasileiro, uma vez que nos outros países já há liberdade de fluxo de capital. Empresários e políticos argentinos e brasileiros mostraram-se receosos quanto ao cumprimento dos prazos fixados pelo Tratado de Assunção, que prevê alíquota zero para os produtos comercializados entre os quatro países a partir de 31 de dezembro de 1994. Os principais obstáculos são apontados nas áreas de integração monetária, cambial e aduaneira. Para cumprir essas metas, dois sub-grupos do MERCOSUL estudam a implantação de uma tarifa externa comum e punições nos casos de práticas desleais de comércio (O ESP) (JC) (JB) (GM).