Os contribuintes do Estado do Rio de Janeiro não sabem. Mas para ganharem no calendário oficial uma data que os homenageie-- 29 de setembro, instituído pela lei 1.976, do último dia 23 de março-- tiveram que desembolsar Cr$87 milhões, o equivalente a 906 salários-mínimos, ou 1.011 cestas básicas. Os mesmos Cr$87 milhões foram gastos pelo estado para a Assembléia Legislativa criar, por exemplo, o Dia do Eleitor (cinco de outubro), ou declarar de utilidade pública a Associação de Moradores e Amigos do Bairro Jacaré. Do início de janeiro até o final de abril, o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), sancionou um total de 32 projetos e o presidente da Assembléia, José Nader (sem partido), promulgou outros 12. Nesses quatro meses foram criadas 54 leis-- a maior parte pode ser considerada de "abobrinhas". No mesmo período, o estado gastou diretamente com os deputados, sem incluir toda a infra-estrutura da Casa e os funcionários de cada gabinete, um total de Cr$4,742 bilhões. Logo, o preço de cada uma das 54 leis foi de aproximadamente Cr$87 milhões (JB).