O porta-voz do Exército, general Gilberto Serra, disse ontem, em Brasília (DF), que os parentes dos desaparecidos durante a guerrilha contra a ditadura militar devem procurar os corpos com os líderes dos movimentos guerrilheiros, e não com as Forças Armadas. Serra afirmou que o Exército não pode ser responsabilizado pelos mortos, "já que a situação era de guerra". "Dos nossos mortos nós cuidamos. Eles que cuidem dos deles. Quando matamos alguém, corríamos o risco de sermos mortos. As mães devem procurar os líderes que levaram os jovens à guerrilha", afirmou. Segundo o general, o Exército não reconhece mortes dentro de suas dependências. As ossadas recém-descobertas em cemitérios de São Paulo, como as de Perus, segundo ele, não foram enterradas pelo Exército. A falta de identificação dos mortos, de acordo com o militar, se deve ao uso de codinomes. "Se não considerarmos que a anistia se aplicou a todos os eventuais excessos, que podem ter acontecido dos dois lados, vamos ficar sempre desenterrando cadáveres", disse o general, que considera possível que militares tenham matado militantes de esquerda e não tenham comunicado aos superiores (O Globo).