LIDERANÇAS INDÍGENAS VÃO À RIO-92 DIVIDIDAS

Os índios irão divididos à Rio-92. No encontro de comunidades indígenas que terminou ontem em Luziânia (GO), as lideranças indígenas presentes decidiram ignorar o trabalho da UNI (União das Nações Indígenas), que está organizando a participação na Conferência, prevista para acontecer na aldeia Kari-Oca, montada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. "As lideranças questionam a Kari-Oca porque as organizações indígenas não foram consultadas", afirmou Orlando Baré, coordenador-geral do Conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil, entidade criada neste encontro como oposição à UNI. Segundo Baré, que também lidera a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, os dirigentes da UNI, Marcos Terena e Álvaro Tucano, levaram índios para construir a Kari-Oca sem informar as entidades. O que mais chamou a atenção no encontro, que teve como objetivo principal discutir propostas para um novo estatuto do índio e a participação na Rio-92, foi a renovação de lideranças. A maioria dos índios presentes era de jovens. O racha entre os índios se aprofundou na questão da tutela. As novas lideranças defendem o fim da tutela para o índio e defendem que o governo brasileiro "apoie e assista" os povos indígenas, como explicou Baré. A forma desta assistência ainda não foi definida. Os caciques mais velhos não querem mudanças no sistema de tutela (FSP).