Documento divulgado ontem pela CPT (Comissão Pastoral da Terra) durante a 30a. Assembléia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), em Itaici (SP), denuncia o aumento do número de casos de trabalho escravo no país no ano passado. Em 1990, a entidade registrou 1.599 casos de pessoas que trabalhavam confinadas em fazendas, sem remuneração. Em 1991 foram descobertos casos de 4.883 trabalhadores que viviam nessas condições. O documento da CPT retrata um quadro de tensão no campo. Foram registrados 383 conflitos de terra no ano passado, com 54 assassinatos. Desses, 49 tiveram como motivo a luta pela posse da terra. Os restantes resultaram de questões trabalhistas. Foram registrados 157 conflitos no Nordeste e 104 na Região Norte. Entre os mortos estão relacionados 40 trabalhadores rurais, cinco líderes sindicais, sete índios e dois menores. Cerca de 90% dos lavradores do país trabalham sem carteiras assinadas e, no Nordeste, 80% deles não recebem nem o salário-mínimo. Os números foram divulgados pela ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária) durante a reunião de ontem da 30a. Assembléia Geral da CNBB. Segundo o presidente da ABRA, Luís Carlos Guedes Pinto, a situação se agrava pela falta de apoio das instituições financeiras às pequenas propriedades. Ele disse que 70% dos pequenos agricultores detêm apenas 3% das áreas cultiváveis. Isso enquanto 1% dos maiores proprietários tem 50% das terras", revelou. O bispo de Goiás e fundador do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), dom Tomás Balduíno, entende que a responsabilidade pelo aumento no número de conflitos agrários é do próprio governo federal. O bispo lembrou que, no ato da demissão coletiva do Ministério de Collor, a UDR (União Democrática Ruralista) pressionou, no sentido de que o ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, fosse mantido. "Ele ficou e os frutos desse tipo de pressão aí estão", disse, a respeito da violência no campo (O ESP) (JC).