O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) denunciou ontem a contratação de obra superfaturada pelo governo de Santa Catarina com verbas federais. A duplicação do trecho Biguaçu-Palhoça (SC) da rodovia que liga Porto Alegre (RS) a Fortaleza (CE) foi entregue à construtora OAS por valor 2,3 vezes maior do que o preço-base do Departamento de Estradas de Rodagem de Santa Catarina. Em junho de 1991, o DNER assinou convênio com o departamento de Santa Catarina, delegando ao governo estadual a tarefa de ampliação do trecho, incluindo o repasse de verbas federais. O desempate entre o consórcio liderado pela OAS e outro grupo comandado pela empreiteira Andrade Gutierrez foi feito através de preço-base e nota técnica, o que é considerado ilegal pelo TCU. Uma verba de Cr$18,4 bilhões foi incluída no Orçamento Geral da União de 1992 quando seu relator era o ministro da Ação Social, Ricardo Fiúza. O trabalho, ainda não iniciado, será executado pela empreiteira OAS. Um dos donos da OAS, Carlos Suarez, presenteou Fiuza com um jet ski. Fiúza reconhece a autoria da emenda, mas disse que foi pedida pelo senador Espiridião Amin (PDS-SC). "Eu não tenho nada com isso. Como vou saber que a OAS iria ganhar a concorrência seis meses depois?", disse Fiúza (FSP).