Os cineastas estão divergindo sobre o decreto assinado no último dia 27 pelo presidente Fernando Collor que repassa à Secretaria de Cultura os recursos da extinta EMBRAFILME. Os recursos serão geridos por uma comissão de 14 pessoas. De um lado estão os que aplaudem o decreto, de outro, os que o rejeitam, por considerá-lo estatizante e paternalista. Ontem, no Rio de Janeiro, a RAIS (Realizadores e Autores de Imagem e Som), entidade que reúne cerca de 300 profissionais da classe cinematográfica, redigiu uma moção de repúdio ao decreto. O documento é assinado, entre outros, por Cacá Diegues, Hugo Carvana, Fábio Barreto, Tisuka Yamasaki e Walter Lima Júnior. Segundo a moção, "o decreto-lei remete o cinema brasileiro de volta a um impasse, pondo em risco sua própria sobrevivência, já que a ausência dos mecanismos de mercado e o paternalismo de sempre farão do Brasil o maior produtor de filmes inéditos do mundo" (O Globo).