BANERJ É ACUSADO DE PUBLICIDADE SUPERFATURADA

Cumprindo determinação do governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), o BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro) destinou cerca de Cr$14 bilhões (em valores atualizados) ao grupo de empresas "Jornal do Brasil", entre julho do ano passado e março deste ano. Estes recursos, equivalentes, em média, a mais de Cr$1,5 bilhão por mês, foram desembolsados a título de pagamento de "patrocínios" e anúncios superfaturados. Os recursos foram sempre depositados numa conta aberta com essa exclusiva destinação direta da presidência do banco, sem audiência das áreas técnicas. Houve contrato fixado até em dólar, apesar de ser ilegal a indexação à moeda estrangeira. "Essa concentração arbitrária da verba publicitária numa empresa é uma forma indireta de conceder empréstimos reais, até porque os pagamentos foram feitos muito antes de ocorrerem os eventos patrocinados-- e seu resgate, se efetuado, se dará abaixo do valor real, graças ao superfaturamento". É o caso, por exemplo, do contrato para a cobertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona, previstos para o final de julho deste ano, na Espanha. O BANERJ pagou adiantadamente, em 20 de fevereiro, portanto cinco meses antes, Cr$600 milhões (US$397,4 mil) pelo "patrocínio". E a cobertura desse evento, segundo levantamento feito entre profissionais de rádio, custaria hoje no máximo Cr$100 milhões (US$43,7 mil), de acordo com as tabelas das emissoras de maior índice de audiência. As emissoras do Sistema Jornal do Brasil, no entanto, não fazem cobertura esportiva (O Globo).