O Senado Federal aprovou ontem em votação simbólica o aumento parcelado de 80% para os servidores civis e militares. O projeto, que já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados, seguiu para sanção presidencial. O governo vai estourar em Cr$4,1 trilhões (a preço médio do ano) o limite de gastos de pessoal autorizado pelo Congresso Nacional para 1992. O estouro no orçamento se deve ao reajuste de 80% aos servidores civis e militares ativos e inativos da União, incluindo o repasse do aumento para funcionários do Congresso e do Judiciário. A decisão de conceder o reajuste, tomada pelo presidente Fernando Collor, foi política. A equipe econômica era contra. Defendia um reajuste de apenas 50%. O governo terá, agora, que pedir ao Congresso um remanejamento de recursos para pagar o funcionalismo. O repasse do reajuste de 80% proporcionará aos deputados e senadores a maior remuneração dos últimos dois anos-- US$8 mil. O salário de Cr$16,2 milhões equivale a 170 salários-mínimos, a maior disparidade desde a promulgação da Constituição, em outubro de 1988. Na América Latina, os salários dos deputados variam de US$1 mil (Bolívia) a US$3,5 mil (Argentina) (FSP).