ONU DIVULGA DOCUMENTO SOBRE DESIGUALDADE ECONÔMICA

Os países em desenvolvimento perdem cerca de US$500 bilhões por ano com as barreiras a seus produtos e serviços no comércio internacional e as restrições ao acesso de sua mão-de-obra a mercados nos países desenvolvidos. O prejuízo é quase 10 vezes maior que o volume de ajuda financeira que estes países recebem. Essas informações estão sendo divulgadas hoje no relatório "Desenvolvimento Humano, 1992", produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O estudo, publicado uma vez por ano, pede mudanças nos organismos financeiros internacionais, convoca uma Conferência Mundial sobre Desenvolvimento e sugere a criação de um Conselho de Segurança para o Desenvolvimento, dentro da ONU, com a participação do Brasil. O estudo mostra que a distância entre os países ricos e pobres dobrou nos últimos 30 anos: de 1960 a 1989, os países com 20% da população mais rica do mundo aumentaram sua participação no Produto Bruto mundial de 70,2% para 82,7%. Enquanto isso, os países com 20% da população mais pobre perderam participação (de 2,3% para 1,4%). No ranking do desenvolvimento, o Brasil é situado no 59o. lugar (60o. lugar em 1991). Durante os anos 80, os países em desenvolvimento pagaram 17% de sua dívida externa enquanto as nações ricas pagaram apenas 4% de seu débito. Para reduzir a distância entre países ricos e pobres, o estudo do PNUD estabelece um programa mínimo de quatro pontos: redução de gastos militares em 3% ao ano durante os anos 90, o que permitiria uma economia de US$1,5 trilhão (US$1,2 trilhão nos países industrializados e US$300 bilhões nos países em desenvolvimento); abertura dos mercados internacionais, especialmente para produtos que usam mão-de-obra intensiva; reforma dos mecanismos de ajuda financeira para aumentar o volume de recursos e melhorar sua distribuição; e estabelecimento de um novo acordo para a dívida externa do Terceiro Mundo que interrompa a transferência atual de US$50 bilhões dos países em desenvolvimento aos industrializados. Contas secretas na Suíça, compra de equipamentos superfaturados e outros casos típicos de corrupção podem ganhar notoridade internacional caso seja adotada uma das propostas do PNUD. No relatório anual, os economistas do organismo propõem a criação da Honestidade Internacional, um organismo para denunciar casos de corrupção em todo o mundo, e que atuaria nos moldes da Anistia Internacional em relação aos direitos humanos. A idéia é monitorar e investigar casos de corrupção, com investigadores próprios, e publicar os resultados expondo aqueles que oferecem e os que aceitam suborno (O Globo).